Resistência interna freia debate sobre transformação do Corinthians em Sociedade Anônima

A proposta de transformar o Corinthians em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) enfrenta forte resistência interna, mesmo com uma dívida estimada em R$ 2,7 bilhões e a apresentação do projeto SAFiel. No Conselho Deliberativo, a maioria dos conselheiros se posiciona contra a ideia. O clube possui 200 conselheiros trienais e 99 vitalícios, com um sentimento predominante de rejeição à SAF. As oposições se baseiam em valores históricos e identitários, com muitos acreditando que o Corinthians, fundado como um clube popular, “não pode ser colocado à venda”. Entre os críticos, há quem defenda que a crise deve ser enfrentada com melhor gestão e eficiência administrativa, sem recorrer à transformação societária. Outros acreditam que a SAF não é necessária neste momento, podendo o clube superar o cenário financeiro atual mantendo sua estrutura associativa. A resistência se reflete na minuta da reforma do estatuto, que, embora abra caminho para a conversão em SAF, impede investidores externos de assumir o controle majoritário, preservando a administração sob responsabilidade dos associados. Isso, segundo os idealizadores, inviabiliza a execução do projeto. Eduardo Salousse, um dos criadores do SAFiel, lamenta: “Se há novas travas, uma maior dificuldade, eu lamento se isso acontecer. A única certeza de todos nós aqui é que, do jeito que está, nós não sobrevivemos mais um ou dois anos.” Na quarta-feira, representantes da SAFiel entregaram uma carta de intenções aos presidentes Osmar Stabile e Romeu Tuma Jr.. A ausência de Stabile no lançamento oficial do projeto gerou críticas, especialmente da conselheira Miriam Athie, uma das poucas defensoras da SAFiel no Conselho. Por enquanto, o SAFiel segue como uma proposta simbólica, buscando abrir debate, mas sem perspectiva concreta de aprovação dentro do clube.
Source: Jogada 10 - 2025-10-30