Esquiva Falcão vende medalha olímpica para investir em sua própria academia

O boxeador capixaba Esquiva Falcão tomou a decisão de vender sua medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, um marco em sua carreira e na história do boxe brasileiro. Em entrevista ao ge.globo, Esquiva explicou que a venda não foi motivada por dificuldades financeiras, mas sim por um desejo de construir um futuro melhor para sua família, incluindo a criação de sua própria academia. — "Eu não vendi a medalha por dívida financeira. Um pai de família com três crianças tem dívida. Mas esse não foi o motivo da venda. Quero dar uma vida melhor para os meus filhos" — afirmou o atleta. A negociação começou quando um colecionador entrou em contato com Esquiva através de uma rede social. Após um período de reflexão, ele decidiu vender a medalha, ressaltando a importância do montante para seus projetos pessoais. — "Eu pensei muito. Vi todo o filme passar pela minha cabeça... O Brasil não valoriza, a medalha fica guardada e a minha história nunca vai ser apagada" — declarou. Embora não tenha revelado o valor da negociação nem a identidade do comprador devido a uma cláusula de confidencialidade, Esquiva enfatizou que o dinheiro será crucial para seus planos. O boxeador admitiu que a decisão foi emocionalmente difícil, considerando que a medalha representa uma grande conquista. Ele também criticou a falta de apoio aos atletas no Brasil, afirmando que não há representantes lutando pelos interesses dos medalhistas olímpicos. — "Hoje, no Brasil, nós não temos ninguém que eu veja lutando pelo esporte... Nós gostamos de campeões, mas, quando passa, acabou" — desabafou. Esquiva lembrou que, após 2016, os medalhistas começaram a receber bônus, mas ele não teve esse apoio na época de sua conquista. Ele enfrenta dificuldades financeiras, especialmente durante a pandemia, quando precisou buscar alternativas para se sustentar. — "Na pandemia, eu até tentei vender a medalha... O atleta hoje precisa de patrocinador para se manter ativo" — destacou. Por fim, Esquiva reafirmou que, embora tenha vendido a medalha, sua história como medalhista olímpico permanece intacta. — "Eu vendi a medalha, mas não vendi a minha história. A medalha é um símbolo, mas a minha história vale muito mais" — concluiu.
Source: Globo Esporte - 2026-04-19